Camará que faz aqui Camará que vais fazer

Publicado originalmente na rede social Capoeiristas do Brasil e do mundo, quero também aqui compartilhar com vocês este nosso artigo que achamos importante para uma grande reflexão que precisamos fazer urgentemente


 

Eu, ao colocar o título desta postagem como "Camarada que faz aqui, Camarada que vais fazer" é com o intuito de desafiá-los a fazer aqui em nossa rede social uma revolução na internet como nunca visto em relação à nossa capoeiragem. As redes sociais que tem sido criada no NING aqui no Brasil tem abordado os diversos assuntos e aspectos da sociedade brasileira e pelo que sei sobre a Capoeira está foi a primeira a ser criada no NING aqui no Brasil e provavelmente também no mundo.


 

Inicialmente não havíamos percebido a força que esta Rede Social poderia ter para divulgar o trabalho dos (as) profissionais da Capoeira, principalmente daqueles (as) que não tinham a oportunidade de fazê-lo na rede mundial de computadores. Mesmo porque, acredito que ainda muitos (as) precisam divulgar os seus trabalhos e a forma mais rápida e eficiente para que isso aconteça é, sem sombra de dúvida, através da internet.


E aqui em nossa rede você pode fazer isso, e o que é melhor, gratuitamente. Ter uma página própria em Capoeiristas do Brasil e do Mundo é, sem sombra de dúvidas, muito legal. Mais ainda acho que nós, membros desta rede, podemos fazer muito mais. Diversos trabalhos pelo Brasil e pelo mundo ainda estão anônimos e cabe a nós dar visibilidade a estes trabalhos. Aquela dicotomia muito presente na Capoeira, como se fossem as maltas da atualidade precisa ser deixado de lado para que possamos juntos, cada vez mais, fortalecer o nosso trabalho. Senão não fará sentido utilizarmos o termo "rede" se não nos fortalecermos como uma Rede Social coesa onde todos e todas, independentemente de ser um profissional de Capoeira ou não (pode ser aluno (a) não puder dar a sua contribuição para o fortalecimento desta que é, a meu ver, a maior forma de resistência cultural e de divulgação da cultura brasileira no Brasil e no mundo.


Tenho percebido, já a algum tempo, em função de minha militância na Capoeira e no Movimento Social Negro, seja como dirigente de Instituição Estadual ou Municipal de Capoeira (Federações/Ligas) ou simplesmente como Mestre de Capoeira, que precisamos alcançar ainda muitos espaços em nossa sociedade, principalmente os espaços políticos. Diversas outras categorias tem se fortalecido em busca de seus objetivos, tendo, inclusive, seus direitos respeitados. Poderíamos citar como exemplo os Motos taxistas, que tiveram, recentemente vitória no Congresso Nacional, tendo a sua categoria sido reconhecida como importante para a sociedade brasileira e com isto, o Senado Federal criou uma norma (Lei) para regulamentar esta profissão.


Não quero dizer aqui que a nossa Capoeira não tem recebido o reconhecimento necessário dos governos e da sociedade brasileira. Isto tem ocorrido principalmente na gestão do Governo Lula. Mais cá pra nós, além de terem sido tombados como Patrimônio Imaterial a nossa Roda de Capoeira e o saber dos seus Mestres, isto ainda é muito pouco. E por quê? Por que ainda vemos pelo Brasil afora muitos Mestres de Capoeira passando necessidades, mendigando para poder sobreviver. E como vamos mudar este quadro. Primeiramente nos organizando cada vez mais. Unindo-nos cada vez mais. Deixando as diferenças de lado e buscando o bem comum. Com isso com certeza todos e todas nós só temos a ganhar.

Porque estou escrevendo sobre isto? Porque em 2010 teremos novas eleições no Brasil e nós, capoeiristas do Oiapoque ao Chuí (quando se determina os dois pontos mais extremos do Brasil, as principais referências nacionais são esses dois municípios) precisamos tomar posição em relação a este pleito.



Certa feita um deputado estadual aqui do Rio de Janeiro disse-nos que: "... infelizmente o capoeirista só vem em meu gabinete para pedir camisa e churrasco para os seus eventos". O que ele quis dizer com isto? Para mim ele quis dizer que nós não temos propostas, não temos idéias sérias para a nossa Capoeira. Qual o desafio então que se faz premente? Organizarmo-nos para 2010 lançarmos os (as) nossos (as) próprios (as) candidatos (as). Precisamos mostrar a força que a Capoeira tem elegendo candidatos em todos os Estados da Federação. Chega de pedirmos votos todos os anos para eleger determinado político (a) e depois ser esquecidos (as) por 4 anos.


Ouso aqui em sugerir alguns nomes para concorrerem às Assembléias Legislativas e ao Congresso Nacional: Mestre Gilvan em Brasília; Mestre Valdenor em São Paulo; Mestre Gavião no Rio Grande do Sul; Robertinho, presidente da Federação de Capoeira Desportiva no Estado do Rio de Janeiro; entre tantos outros e outras com competência que sabemos que na nossa Capoeira tem.


Ou partimos para escrever (ou seria reescrever?) a nossa própria história ou iremos continuar a mercê das benesses deste ou daquele governo, deste ou daquele político.


Não fique parado (a), mobilize-se. Convido você a criar uma discussão séria no Brasil inteiro.


Camará que faz aqui! Camará que vai fazer?